Aqui é o lugar de saborear o gosto peculiar das palavras! Ah,mas podem chamar de "Angu de poesia"!
domingo, 29 de julho de 2012
Mas vi tanta coisa...
Domingo. Dia meio nublado. Porém, não havia chuva. Fui passear no parque, como de costume, com meu cachorro. Andava. Sério. Calado. Sentindo um pouco a brisa tocar meu rosto. Uma alegria visitava-me. Mas logo minhas preocupações surgiam como verdadeira anfitriã de minha mente, expulsando para longe todo o contentamento. Sentei no banco. E fiquei a observar as pessoas ao redor. Casais abraços, sentados na grama, como num filme de Love story. Crianças correndo, brincando. Pai abraçando filho. Mãe acalentando bebê. Parecia estar num comercial de margarina ou de leite longa vida. Mas longa era minha tristeza, solidão ou desânimo, sei lá o quê. De repente, uma cena me desperta. Olhei para você. De longe. Mas vi tanta coisa. Você estava com a roupa um pouco molhada. O que me intrigou, pois não havia praia ou rio por perto. Você estava sentado naqueles balanços de criança do parque. Seus cabelos meio molhados, cacheados; a barba por fazer; uma camiseta branca; uma bermuda azul; descalço. Descalço da dureza da vida. Descalço das preocupações cotidianas. Você me atraía por transmitir tanta espontaneidade, sinceridade e simplicidade naquele jeito de ser. E o seu sorriso? Largo, efusivo, radiante. Envolvia qualquer um com tamanha alegria. Foi aí que entendi que o fato de você estar num brinquedo de criança revelava nada mais do que seu espírito leve e solto de ser. Um homem com jeito de menino. Não seria esse o segredo da maturidade? Não sei bem ao certo, mas foi esse o segredo do seu encanto ter me tocado. De repente, meu cachorro vê algo e sai correndo. Como estava atento a você. Fácil o cachorro escapou. Fácil vi o cachorro correndo pelo parque. Difícil era sair daquela situação que para mim era vergonhosa: correr atrás de um cachorro em pleno parque por um descuido meu. O cachorro vai até você e suas amigas. Você se abaixa. Brinca com o cachorro. Sorri. Suas amigas apontam para mim. Começa a chover. E dentro de mim também começa a chover de medo, vergonha ou timidez, pois percebo que vocês vêm em minha direção. Pego o cachorro. Agradeço pelo cuidado. Você dá um sorriso que mescla encanto, leveza, traquinagem, sedução. Balança a cabeça mexendo e enxugando os cabelos cacheados. Suas amigas correm na frente e adentram ao restaurante. Há um desejo de proteger-se da chuva e de comer ao mesmo tempo. Afinal, já era hora do almoço. Você se vira e diz: vamos almoçar? E sorri. Um sorriso largo, cheio de vida, de força, de alegria, de convite. Eu? Fico encantado e me perguntando ao ver você andando a minha frente: Como um sorriso pode esconder tanta força? Pode desmoronar com sua espontaneidade e leveza os castelos da minha razão e do meu saber? Pode. Pois nesse sorriso encerrava-se a doce presença de ser você: um menino-homem que chegou para dizer que a vida pode ser leve como um almoço em dia de chuva.
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