quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Fazia tempo que...

Fazia tempo que não escrevia. Na verdade, fazia tempo que não parava para refletir, para olhar aqui dentro, para acessar sentimentos, desejos... é fazia tempo... Acredito que me faltava tempo. Tempo? Não dizem que ele é questão de prioridade? Humm, então não era o tempo. Faltava inspiração. Inspiração? Isso é tão subjetivo para ser “culpa” da ausência de escrita. (...) Faltava, então um sorriso que me conquistasse, faltava um olhar sincero, meigo, e ao mesmo tempo, penetrante; um olhar que soubesse dizer aquilo que eu mais queria escutar... faltava-me seu olhar. (...) Faltava um toque. Suave, porém preciso, determinado. Um toque generoso, cuidadoso, um toque que tivesse o poder de me escolher e atingir um local bem aqui dentro, no silêncio dos meus desejos e me fizesse escolher ser tocado por você. (...) Faltava um perfume. Um fragrância. Algo parecido com o cheiro de terra molhada. Faltava algo único e específico. Faltava o seu cheiro (...) Voltei a escrever. Descobri o motivo. Faltava você! Aqui, perto e longe, teimando em brigar com a ciência e metafísica, dizendo-me que quem estar perto nem sempre está do lado, no entanto, está do melhor lado, do lado de dentro. Faltava você do meu lado. Bom que você chegou! Pode entrar!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

O girassol...

Eu estava em casa. Arrumando as malas para mais uma viagem a trabalho. Francisco entra no quarto e fala: “-Papai, o que é estar apaixonado? Acho que estou amando!” Depois do susto, retruquei: “- Vá falar com sua mãe! Eu to ocupado demais para responder a essas perguntas”. Francisco saiu cabisbaixo, mas curioso, insistente em descobrir difícil resposta. Ah, Francisco tem apenas 10 anos. “-Mãe, o que é estar apaixonado? Acho que estou amando!”. “-Menino, que conversa é essa? Você não tem idade pra isso não, oxe! Vá fazer a tarefa de casa!” No dia seguinte, Francisco sai com uma dessa: “-Mãe, a senhora sabia que a semente de girassol é usada como biodiesel?” – “-Que lindo filho! Tão inteligente!” “-Aprendi na aula de ciências de hoje. Estudamos o girassol. E ele me respondeu o que a senhora nem o papai quis me dizer ontem” – O que foi?” “O girassol me ensinou o que é estar apaixonado. Mãe,o girassol tem esse nome porque ele sempre está voltado para ‘olhar’ o sol. Assim, acontece quando a gente ama. Nossos olhos ficam voltados para a pessoa amada o tempo todo. E assim como o jardineiro precisa regar as plantas, adubar, ter um cuidado repetitivo e constante para as plantas crescerem e ficarem bonitas; com o amor acontece a mesma coisa. O amor não nasce da hora para outra. Ele vai crescendo como num jardim. O amor é feito de pequenos cuidados constantes: sol, água, sombra, adubo, alegria, carinho, atenção… Mãe, e é isso que sinto pela Renata, meus olhos se voltam sempre para ela, como se ela fosse o sol para mim”. Depois disso, saí calada da sala. Pensei que as aulas atualmente estão muito modernas. Ou, então, meu filho, realmente, está amando aos 10 anos. E dando-me lições. Bem, resolvi amanhã mesmo começar a cuidar do meus jardins: o exterior e o interior.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Você pegou na minha mão...

Final de tarde. O sol sorrindo me dando adeus. A lua chegando de mansinho, sorrindo, também, me dizia “oi”. Andávamos pela cidade. Pessoas conversando. Casais comendo pipoca. Crianças andando, brincando. Mães conversando. Pais rindo. Jovens andando de skate. Outros sentados no chão conversando, rindo. Um ar de alegria envolvia aquela pedacinho da cidade. E por incrível que pareça eu não sabia o que ainda iria me acontecer (risos tímidos). Bicicletas passam por nós. Uma jovem, sozinha e, talvez, um pouco triste tocava violão. Escuto a nossa música: “Você que tanto tempo faz, Você que eu não conheço mais, Você que um dia eu amei demais, Você que ontem me sufocou, De amor e de felicidade, Hoje me sufoca de saudade...” Música que se tornou minha e sua, depois da nossa briga, depois do tempo que demos um ao outro. Depois da solidão que decidimos abraçar em vista do orgulho de abraçar um ao outro. Escutei a música, olhei para você e você pegou na minha mão... Engraçado como um gesto tão simples pode nos devolver a condição de filho, de amado, de pertença. Naquele exato momento, entendi porque a mãe aconchega o filho no colo; entendi porque os contratos são feitos com apertos de mãos; entendi o abraço dado através do toque de uma mão entre os namoros proibidos. Ah, apertos de mãos que dizem mais do que um acordo fechado. Entendi e lembrei que na nossa briga, foi você quem primeiro estendeu a mão (é, meu orgulho não deixou eu fazer tal ato). Sua mão me alcançou primeiro no coração, no gesto de cuidado, de afeto, para depois encontrar minha mão e meu corpo. Hoje, segurar sua mão é ter a certeza de que te amo não por mim, ou até mesmo, por você, te amo porque você soube me ensinar a ser corajoso e escolher o amor a dois em detrimento de uma mão só vagando pela cidade tão bela, mas que não conseguia ser feliz, por não ser aconchego na mão do outro.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Gosto de saudade...

10 horas da manhã. Um trânsito infernal. O sol brilhava forte, poderoso sobre todos nós. A praça no centro da cidade estava repleta de gente. Todos passavam com pressa. Era possível ver camelôs, criança chorando segurando a barra da saia da mãe. Executivos falando ao telefone. Jovens apaixonados andando de mãos dadas e trocando palavrinhas carinhosas (aquelas palavras bobas e infantis que só usamos quando estamos apaixonados). Também vi rostos tristes, preocupados, tensos... Os pássaros estavam no chão da praça. Os pombos, na verdade. E eu me perguntando se isso não é uma cena de filme de Wood Allen (risos tímidos). Eu? Eu estou aqui em plena praça da cidade. Parei para comer saudades! Isso mesmo! Comprei um algodão doce. E pude experimentar o gosto da saudade. Saudade da infância. Saudade da comida da vovó. Saudade dos braços de minha mãe. Saudade da cidade pacata, do carrinho de algodão doce. É interessante como algumas situações, coisas, objetos, pessoas... sei lá, têm o poder de nos remeter ao interior de nós mesmos. E lá, num recôndito só nosso, encontrarmos o cheiro, o gosto da saudade, do lar, do aconchego... De repente, o celular toca. Acordo das minhas reminiscências e... Vejo seu nome. Você me liga. Wow! Sentimentos de saudade e você, depois de uma semana me ligando. Depois de uma semana sem nos falarmos, sem nos vermos. Sem notícias, sem mensagens, sem e-mails. Por um momento, acreditei em sinal de fumaça ou em pombo correio. Mas não tive notícias alguma. E agora, essa ligação no meio de um êxtase de saudade. Atendi a ligação e confesso: ouvir você, sua voz dizendo o meu nome foi o melhor de uma sexta-feira em pleno centro da cidade. Foi como prolongar o êxtase do algodão doce com um êxtase longo, fininho que se vai bem devagar, mas que fica marcado no canto da boca com um sorriso e uma luz nos olhos capaz de causa inveja a qualquer estrela.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Querido diário...

Querido diário, Droga! Prometi para mim mesmo que nunca escreveria em um diário. Ou nunca escreveria “querido diário”. Tudo bem, eu também prometi para mim mesmo que não te amaria. E fui pego de surpresa pelo destino quando te vi. Acho tão infantil, imaturo, tolo fazer diário. Mas, é assim mesmo, já dizia algum poeta, amar nos faz infantil porque nos devolve a inocência perdida da infância. Sendo assim, voltando ao diário, escrevo porque você não está ao meu lado. Está ausência invade o meu quarto e me faz mais fraco a cada dia. Então, esse relato é uma forma de diminuir a distância que nos separa. Escrever é como uma ponte que me leva até você. Sei que o natal se aproxima. Não sei se você estará ao meu lado nessa noite mágica. Por isso, quero aproveitar o momento e expressar o que sinto por ti. É interessante perceber que seu amor me faz sentir-me em casa. Sim, porque esse amor tem cheiro de café da manhã, tem gosto de pão assado… enfim, tem sensações de simplicidade. Simplicidade aconchegante como casa de pai, como colo de mãe. Lembro-me do primeiro dia que te conheci. É… gosto de lembrar-me disso. Afinal, as lembranças acendem o sentido daquilo que nunca deve deixar-se esquecer. Eu estava escrevendo um texto e você, como membro do grupo, ousou me corrigir. Sim, ousou me corrigir. Na hora fiquei com raiva. Pensei: “que audácia”. Era muito orgulho para pouco corpo. (Risos tímidos). Hoje, percebo como você me ensinou a ser uma pessoa melhor por aceitar meus erros. Fico pensando quando foi o primeiro dia que te amei. Entretanto, não acho resposta. Porque o nosso amor foi construído no silêncio do cotidiano. Por isso, hoje, posso dizer: eu te amo pelo que você é. Não pela sua beleza ou pelos seus bens. Ouso dizer, ainda, que te amo pelo que você é longe de mim. Sim, porque seria fácil te amar pelo que você é estando comigo. Porque seria como amar um reflexo. Mas te amo porque longe de mim você é livre para ser você mesmo. Sendo assim, eu posso olhar e perceber porque te escolhi. Te escolhi porque você é diferente de mim. Porque você é melhor do que eu. Não! Isso seria egoísmo da minha parte. Te escolhi porque como num quebra-cabeça, você é a peça que se encaixa em minha história de dor, de solidão, de vazios. Agora, contemplo que no meu coração ainda há uma falta. Mas não quero essa falta preenchida. Pois é a falta do amor-perfeito. Amor que idealizei tantas vezes. Porém, você insiste com seu jeito manso de me ensinar que amor perfeito é uma flor. Enquanto, você é uma realidade para mim. Realidade que parece uma flor, pela beleza e delicadeza, mas que também é firmeza ao encerrar-me no teu peito e dizer-me: “estou aqui! Te amo. Vai dar tudo certo!” Com amor e saudade, A outra peça do quebra-cabeça de nossa história!

domingo, 29 de julho de 2012

Mas vi tanta coisa...

Domingo. Dia meio nublado. Porém, não havia chuva. Fui passear no parque, como de costume, com meu cachorro. Andava. Sério. Calado. Sentindo um pouco a brisa tocar meu rosto. Uma alegria visitava-me. Mas logo minhas preocupações surgiam como verdadeira anfitriã de minha mente, expulsando para longe todo o contentamento. Sentei no banco. E fiquei a observar as pessoas ao redor. Casais abraços, sentados na grama, como num filme de Love story. Crianças correndo, brincando. Pai abraçando filho. Mãe acalentando bebê. Parecia estar num comercial de margarina ou de leite longa vida. Mas longa era minha tristeza, solidão ou desânimo, sei lá o quê. De repente, uma cena me desperta. Olhei para você. De longe. Mas vi tanta coisa. Você estava com a roupa um pouco molhada. O que me intrigou, pois não havia praia ou rio por perto. Você estava sentado naqueles balanços de criança do parque. Seus cabelos meio molhados, cacheados; a barba por fazer; uma camiseta branca; uma bermuda azul; descalço. Descalço da dureza da vida. Descalço das preocupações cotidianas. Você me atraía por transmitir tanta espontaneidade, sinceridade e simplicidade naquele jeito de ser. E o seu sorriso? Largo, efusivo, radiante. Envolvia qualquer um com tamanha alegria. Foi aí que entendi que o fato de você estar num brinquedo de criança revelava nada mais do que seu espírito leve e solto de ser. Um homem com jeito de menino. Não seria esse o segredo da maturidade? Não sei bem ao certo, mas foi esse o segredo do seu encanto ter me tocado. De repente, meu cachorro vê algo e sai correndo. Como estava atento a você. Fácil o cachorro escapou. Fácil vi o cachorro correndo pelo parque. Difícil era sair daquela situação que para mim era vergonhosa: correr atrás de um cachorro em pleno parque por um descuido meu. O cachorro vai até você e suas amigas. Você se abaixa. Brinca com o cachorro. Sorri. Suas amigas apontam para mim. Começa a chover. E dentro de mim também começa a chover de medo, vergonha ou timidez, pois percebo que vocês vêm em minha direção. Pego o cachorro. Agradeço pelo cuidado. Você dá um sorriso que mescla encanto, leveza, traquinagem, sedução. Balança a cabeça mexendo e enxugando os cabelos cacheados. Suas amigas correm na frente e adentram ao restaurante. Há um desejo de proteger-se da chuva e de comer ao mesmo tempo. Afinal, já era hora do almoço. Você se vira e diz: vamos almoçar? E sorri. Um sorriso largo, cheio de vida, de força, de alegria, de convite. Eu? Fico encantado e me perguntando ao ver você andando a minha frente: Como um sorriso pode esconder tanta força? Pode desmoronar com sua espontaneidade e leveza os castelos da minha razão e do meu saber? Pode. Pois nesse sorriso encerrava-se a doce presença de ser você: um menino-homem que chegou para dizer que a vida pode ser leve como um almoço em dia de chuva.

sábado, 28 de julho de 2012

Espera...

Espera… espera… espera… Olho para a porta. Ela não abre. Você não aparece. A campainha não toca. Espera… espera… espera… Descubro que não gosto de esperar. Na verdade, não sei esperar. Relendo minha vida percebo que gosto de fast food, molho pronto, sopa instantânea, lava rápido… Assim, percebo que na gramática da minha história nunca soube conjugar os verbos: aguardar, esperar, vigiar… Interessante isso! Ao esperar você, percebo o que me dói. Dói ver a verdade: você nunca saiu de mim. Hoje, coincidentemente, eu em casa querendo sair. Porém, o que espero não está lá fora. Está aqui dentro. Nunca saiu. É justamente essa discordância interior que me dói. Tento buscar soluções para aliviar essa angústia. Mas não encontro. Por isso, nunca fui adepto a livros de autoajuda. Eles são muitos rasos para abarcarem a profundeza da incoerência humana, ou melhor, da minha incoerência. Espera… espera… espera… Levanto-me. Não aguento esperar mais. E aprendo mais uma lição: Hoje, entendi que esperar tem a ver com esperanças. E eu não tenho esperanças em você. Por isso, saio de casa. Você? Não sei se vem. Eu? Aprendo esperando que esperanças começam aqui, em mim. Escrito por Luiz Carlos Filho em 17/11/11